Carta aos paroquianos(as)

Brasília/DF, 21 de março de 2020.

Caros irmãos em Cristo e paroquianos da Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Águas Claras, a paz!

Estamos vivendo esta Quaresma como um caminho que nos conduz à Páscoa, ao encontro com Jesus Cristo Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte.

A Eucaristia é um meio preeminente e ordinário para esse encontro, porém, não é o único modo de nos encontrarmos com o Ressuscitado. Em tempos de exceção, Deus permite outros caminhos extraordinários para que se produza esse encontro.

Na história bíblica e na história da Igreja, temos épocas de exceção, nas quais Deus tem dado, por outras vias, o que o seu povo precisava.

Quando Israel está no Egito, sob opressão do Faraó, Deus, por meio de Moisés, dirige-se para libertar o seu povo, porque tem escutado o seu clamor (Ex 3,7). Ao preparar a última das pragas, Deus diz ao povo para celebrar a Páscoa e que nesse dia se estabeleceria um memorial perpétuo, que deve ser celebrado como festa do Senhor, de geração em geração (Ex 12,14); porém, durante quarenta anos de permanência no deserto, o povo não pode celebrar a Páscoa, somente voltariam a celebrá-la uma vez que, tendo passado o rio Jordão, se encontram na Terra Prometida. Durante o período de estadia no deserto, Deus permanece perto de seu povo, dando-lhes comida e bebida, assim como sua Palavra, de modo que o povo entenda que “O homem não vive apenas de pão, mas que o homem vive de tudo aquilo que procede da boca de Deus” (Dt 8,3). Desse modo, podemos saber que, em tempos extraordinários, a Palavra de Deus se converte em nosso alimento.

Lembro de um fato “miraculoso” da história da Igreja: refiro-me aos cristãos do Japão. O Evangelho chegou naquele país na segunda metade do século XVI e, rapidamente, desencadeou uma persecução religiosa que contribuiu para o martírio de muitos cristãos que ali viviam, incluindo missionários estrangeiros e fiéis japoneses. Essa perseguição religiosa fez com que, na metade do século XVII, não houvesse mais Padres naquelas terras e, consequentemente, se fez impossível a celebração dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação. Quando o Japão voltou a se abrir ao Ocidente, no final do século XIX, os primeiros missionários que chegaram naquelas terras descobriram que a fé não havia morrido e encontraram milhares de cristãos que tinham conservado a fé, durante mais de dois séculos, sem a presença de ministros ordenados. Como sobreviveu a fé? Graças à lembrança de alguns textos bíblicos, a uma catequese sobre a confissão e a uma oração memorizada da contrição e do arrependimento (que rezavam em casa cada vez que eram forçados a participar em atos pagãos ou de apostasia) e graças também a uma profecia de 1660, clamada “do catequista Sebastião”, que dizia que, em sete gerações, chegariam barcos com os confessores.

Digo-vos isso para vos mostrar que, em tempos extraordinários, é possível viver sem a participação da Sagrada Eucaristia, porém, sobretudo, para vos mostrar que se trata de um tempo em que o convite a escutar e a acolher a Palavra de Deus é vital para a sobrevivência da nossa fé.

Neste tempo, é de suma importância ficar em casa, como nos tem sido indicado pelas autoridades civis.

O nosso Administrador Apostólico, Cardeal Sérgio da Rocha, atendendo ao pedido das autoridades civis, tem-nos pedido para cancelar toda celebração e culto presencial, enquanto vigorar esta situação, até que nos seja indicado poder voltar a celebrar a Eucaristia dentro dos templos.

Enquanto durar esta situação, a Igreja nos propõe diversas formas de orações e celebrações, nas quais podemos viver a nossa fé. Temos a Liturgia das Horas, a reza do Santo Terço, a Via-Sacra, o Terço da Misericórdia, etc. Especialmente incentivamos a oração em família.

Na nossa Paróquia, celebraremos a Santa Missa sem o povo todos os dias, nela pediremos por todos que não podem estar presentes, assim como pelos enfermos, pelos profissionais que estão se dedicando à erradicação do vírus, assim como pelos que estão cuidando dos infectados e por suas famílias. Amanhã, domingo, transmitiremos a Santa Missa, às 11h00, pelas redes sociais. Pedimos que, se possível, possam assistir à Santa Missa diariamente pela TV ou por outros canais.

Aqui em casa todos estamos bem, peço que continuemos juntos na oração, rezando uns pelos outros, unidos a Maria, Mãe de Jesus, que nos momentos difíceis nunca perdeu a esperança e que hoje, desde o Céu, nos anima a permanecermos firmes na fé.

Comunico-vos, também, que a Igreja permanecerá aberta para a oração individual, sem aglomerações, assim como para as confissões.

Que Deus vos abençoes e que Nossa Senhora da Assunção vos proteja! Rezem por nós.

Atenciosamente,

Padre Manuel
Padre Isaac
Padre Everton
Diácono Paulo Henrique
Seminarista Luciano